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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Pijamas cuti-cutis para o frio ~

Não fazem ideia da felicidade que despertou em mim quando acordei e senti frio *O* depois de tantos meses derretendo num calor de > 35ºC, finalmente minha pele gelou e recordei da sensação de ficar encolhida no vento do Alasca. Inclusive, esqueci como me vestia no Outono/Inverno, pois acabei passando frio por ter escolhido equivocadamente uma blusa que achei que daria conta...mas não deu.

Mas enfim....

Antes que esse frente fria resolva se ausentar novamente, aproveito para falar de algo "cauái-desu" que vi no shopping recentemente: PIJAMAS! Não apenas pijamas, mas pijamas de frio.

Passeando pela sessão de lingeries/roupa de dormir, notei como microfibra continua em alta. TUDO enfiaram microfibra, seja na camisa, calça ou no roupão. Não que eu não goste, pelo contrário, dá vontade de vestir e ficar rolando na cama curtindo tamanha fofura *3* Único problema é o preço, né? Não me lembro exatamente o preço de todos, mas se não me falha a memória, estavam em torno de R$69,90 cada conjunto.

Meus prediletos foram esses com detalhes em microfibra e de bichinhos S2 que achei na Renner (pelo menos, acho que era Renner):





Lá, também encontrei um pijama do mesmo estilo, mas do Pernalonga. Não só pijama, como roupão com TOUCA com orelhas de coelho:



E enfim, saindo do shopping, olho pra vitrine da Marisa e me deparo com isso:


Se não me engano, esse último não era microfibra, mas nem por isso não achei uma graça *-* 24 anos nas costas e não consigo deixar de me apaixonar por essas fofuras cheio dos negocinhos.

Quero muito renovar meus pijamas, mas infelizmente, por ora, R$70 um novo não me é muito convidativo. Vamos ver mais pra frente se rola.

~ VK ~



segunda-feira, 11 de abril de 2016

Resenha: Discurso do método, de René Descartes ~



Quem diria que eu demoraria tanto tempo para ler um livrinho de 50 páginas! Essa foi a primeira vez que leio uma obra de René Descartes, filósofo, físico e matemático francês, fundador da filosofia moderna, que viveu entre 1596 à 1650.

Apesar de curto, não chega a ser uma leitura light como histórias e novelas convencionais, talvez por isso exigiu um tempo a mais do que esperado pois, a cada parágrafo, eu parava ora para reler para compreender o que estava escrito, ora para pensar sobre o que tinha lido. Definitivamente não foi um bom livro para ler no metrô pois exigia bastante atenção, o que não me é possível porque fico com uma parte de mim atenta ao meu redor, não dando a atenção devida às palavras de Descartes.

A pesquisa de Descartes
 
Esse livro foi escrito numa época em que todas as publicações filosóficas eram escritas em latim, sendo, portanto, acessível apenas para os conhecedores dessa língua, isso é, a sociedade “mais culta”. Descartes, com seu Discurso do Método, quebra esse costume escrevendo em francês, para que esse seu método possa ser conhecido por todos aqueles que se interessarem e “que servem somente de sua razão natural totalmente pura”, não apenas àqueles que “não acreditam senão nos livros antigos”.

Ao decorrer das páginas ele deixa bem claro da importância de passarmos nosso conhecimento aos outros, que nada vale viver sem ser útil a alguém. Além disso, mesmo que nosso conhecimento seja mínimo perto do que desconhecemos, outro motivo para passarmos adiante o que descobrimos seria para que os próximos continuem de onde paramos, aumentando, assim, o conhecimento humano em relação à natureza.

O livro é dividido em 6 partes:

1.    traz as considerações referentes às ciências;
2.    apresenta as regras gerais desse seu método;
3.    regras de moral que tirou de seu método;
4.    razões pelas quais prova a existência Divina e da alma humana;
5.    questões de física, explica sobre o movimento do coração, questões da medicina e diferenças entre a alma humana e dos animais;
6.    razões que o levaram a escrever e cita os requisitos que julga necessário para avançar na pesquisa da natureza;

Mas o que seria, afinal, esse “Método”?

Descartes afirma que não podemos tomar como verdade tudo que possa supor alguma dúvida, que não podemos tomar como verdadeiro sem contextar só porque tais informações foram passadas à nós por mestres e doutores, que nada é apenas verdade só porque alguém, considerado entendido, nos falou. Não devemos seguir opiniões alheias sem antes buscarmos as nossas próprias.

Para isso, lista algumas regras básicas para tentarmos alcançar a “verdade universal”:

I- Nunca aceitar alguma coisa como verdadeira caso não a conheça evidentemente como tal, evitando a precipitação e a prevenção, não incluindo em nossos juízos nada que não se apresente tão claro e distintamente a nosso espírito, que não haja motivos para duvidar;
II- Dividir as dificuldades em tantas parcelas fossem possíveis e necessárias, a fim de melhor resolvê-las;
III- Conduzir os pensamentos por ordem, começando pelo mais simples e fáceis de conhecer e depois aos mais complexos;
IV- Elaborar enumerações e revisões completas e gerais, garantindo que não está omitindo nada;

Além disso, pelo fato de estar pensando sobre essas questões, pensando que eram falsas, significava que, por pensar, ele deveria ser alguma coisa. Logo, que a verdade mais sólida, correta e inabálavel seria de que “Penso, logo existo”, que o fato de pensar nos faz alguém, prova nossa existência.

“(...)Compreendi então que eu era uma substância cuja essência ou natureza consiste somente no pensar e que, para ser, não necessita de lugar algum, nem depende de qualquer coisa material. Desse modo, esse eu, isto é, a alma, pela qual sou o que sou, é inteiramente distinta do corpo e até mesmo que ela é mais fácil de conhecer do que ele e, ainda que esse nada fosse, ela não deixaria de ser tudo o que é.”

Um pouco mais de sabedoria

Ao decorrer das páginas, Descartes faz várias citações interessantes válidas até hoje, como de pupilos que nunca superam seus mestres, que “são como a hera que não tende a subir mais alto que as árvores que a sustentam”, que se contentam felizes tendo parte do conhecimento de seu mestre sob a condição de nunca o terem maior. Fala também das escolas, que se preocupam mais em exercitar e “fazer valer a verossimilhança do que ponderar as razões de parte e de outra”.

“(...)aqueles que foram durante muito tempo bons advogados, nem por isso se tornam melhores juízos.”

Ele critica esse fato de não incentivar as pessoas a buscarem a verdade, apenas a aceitar e reafirmarem o que já se sabe. Que “preferem o conhecimento de um pouco de verdade à vaidade de darem a impressão de nada ignorar”.

Defende que o melhor pensamento seria o nosso próprio, buscado por nós, que “não se poderia conceber tão bem uma coisa e torná-la sua, quando é aprendida de algum outro, como quando nós mesmos a criamos”, e enfatiza argumentando que, quando explicava algumas de suas ideias para alguém, por mais que a pessoa mostre que entendeu, ao tentar repetir, notava uma série de modificações à ponto de não poder mais considerar aquela ideia como dele (isso me lembra aquela brincadeira do telefone sem-fio, em que você fala algo a alguém, e esse alguém escuta e interpreta a sua maneira, passando adiante suas palavras adicionadas ou alteradas com as delas).

“(...) jamais acreditem nas coisas que lhes forem apresentadas como provindas de mim, se eu mesmo não as tiver divulgado.”

Uma outra partes de seu pensamento que me agradou bastante, ao menos em minha interpretação, é que ele dá a entender que qualquer um poderia buscar a verdade, não precisa ser um sábio renomado para isso,  e ele passa esse seu conhecimento à todos escrevendo com uma linguagem mais “informal” para um livro da época. Óbvio que, para conseguir realizar as pesquisas e provar metodicamente, precisaria de um investimento financeiro, porém, dá crédito às pessoas só pelo fato delas quererem saber a “real verdade” e quererem seguir a razão da vida, não sendo passivos na recepção de informações.

Enfim, “Discurso do método” foi o primeiro livro que fez eu cometer o pecado de grifá-lo com marca-texto. Sério, senti a necessidade de destacar os principais pontos e todos os que achei interessantes e dignos de levar para a vida (e não, não me arrependo). Com certeza é um livro que ficará para sempre em minha “biblioteca pessoal”, devido à alta probabilidade de eu, futuramente, recorrer a ele para consulta.

Arrisco a dizer que é um dos títulos que considero como “leitura obrigatória” para a vida. Logicamente, você não vai concordar com tudo o que ele diz, mas muitas coisas podem ser adotadas ou, no mínimo, compreendidas.

A graça da vida não é apenas viver, mas sim viver e compartilhar essas experiências com alguém. No dia que recebermos o abraço da morte, pode até ser que nunca mais nos verão por aí, mas o fato de termos deixado nossos conhecimentos com algumas pessoas, ter deixado uma parte nossa no mundo, podemos partir tendo certeza que nossa passada na Terra foi eternizada para alguém. E esse alguém passará nossas vidas para as gerações seguintes, permitindo que pelo menos nossa mente e memórias perdurem imortais na cabeça de outras pessoas.

~ VK ~

terça-feira, 5 de abril de 2016

Somos todos de Humanas? ~



É engraçado como estamos sempre querendo nos rotular ou colocar-nos em “caixinhas”. Mesmo que muitos tendem a se livrar desse hábito, vez ou outra acabam caindo no vício. Dessa mania de rotulação, que vem juntamente com um esteriótipo, o que mais acho interessante é em questão de “ser de Humanas, Exatas ou Biológicas”.

Geralmente, quem escolhe como carreira um curso de Exatas ou Biológicas, acaba tendo um pensamento pejorativo em relação à Humanas, desenvolvendo uma imagem de pessoas em “cursos coxa”, que passam o dia só lendo ou fazendo artesanato, como se apenas houvesse dificuldade em matérias que haja números e cálculos. Aquelas que exigem mais compreensão ou “reflexão”, são consideradas banais, como se pensar em questões humanas fosse perda de tempo.

~ Sei que as Ciências Humanas englobam disciplinas bem mais amplas do que apenas estudo das complexidades da sociedade, seu lado psicológico, criativo, teórico da língua, etc, mas quero me focar nessas que visam comportamento e afins. ~

Por carregar conceitos mais subjetivos, a complexidade humana é realmente bem difícil de se entender, até porque, diferente da matemática, por exemplo, não há um manual que dita regras pontuais e universais para todos os casos; não há sempre uma lógica em comum à todas as atitudes humanas; não basta um simples diagnóstico de “sim ou não” para você decifrar alguém. E talvez por exigir grande estudo, pessoas de outras áreas nem se dão ao trabalho de tentar entender por “não serem de Humanas”.

Porém, acho totalmente contraditório um SER-HUMANO dizer que NÃO É DE HUMANAS, sendo que está falando da ciência que estuda ele mesmo. Convivemos todo dia numa sociedade, rodeado de outras pessoas. Estamos constantemente nos relacionando e vivendo situações que mexem com nosso psicológico. Qual seria a desvantagem de tentar buscar conhecimento do porquê de agirmos de tal forma? Ou por que que vivemos numa certa condição? Por que nos relacionamos de tal maneira? Por que nossas mentes tendem mais a uma coisa que outra? Por que algo nos agrada e a outros não? Qual o problema de tentar enxergar e aprender algo que facilite nossa comunicação com o outro? E por ai vai. São várias questões que vivenciamos todo dia mas ignoramos.

Se aprofundar no psicológico humano pode realmente ser assustador, mas ter um melhor autoconhecimento pode nos poupar de muitas dores de cabeça, como por exemplo, entender porque algo nos incomoda tanto e se há motivos para isso, ou se há outras linhas de pensamento que poderiam nos auxiliar em nossos relacionamentos, estudos e visão de mundo.

O mais intrigante é querer utilizar dessa rotulação para justificar suas próprias falhas. Não só quem é de Exatas ou Biológica, mas dentro da própria Humanas. Quem nunca conheceu alguém que tem dificuldade em realizar alguns cálculos, seja por medo de números ou porque não teve uma boa orientação, e em vez de procurar ajuda e tentar entender, se conformou com isso alegando “Ah, não sou de Exatas”, ou até mesmo quem não tem um domínio muito grande na escrita e interpretação de texto se justificando que “não sou de Humanas para saber”.

Outro ponto é que muitas pessoas não acham possível um indivíduo se interessar por mais de uma área simultaneamente. Algo meio binário: se você gosta de X, não pode gostar de Y; Se X te interessa mais, não tem porque querer entender Y. É aquele caso de uma pessoa que cursou Exatas mas também gosta de Literatura. Ou alguém de Medicina se interessar por Astronomia. Ter interesse e domínio em assuntos diferentes é incompreensível e inaceitável para muita gente.

Triste ver aqueles que se fecham numa coisa só achando que não precisa ou não pode gostar de outra pois isso o deixaria dividido e incerto de si, com medo de pensarem que está em área errada. Eu por exemplo, passei a vida sendo incentivada a cursar Letras ou Jornalismo só porque tenho como hobby escrever e ler, mas faço Veterinária por ser uma paixão maior. O outro, é puro lazer e válvula de escape para o estresse, mas nem por isso fico insegura de estar não ter feito a escolha certa.

Não estou falando que gostar de coisas diferentes significa obrigatoriamente dominar ao máximo todas elas. Uma coisa é você gostar e, por isso, executá-la ou tentar aprender mais sobre, mas nada à título de PhD, e sim apenas por puro prazer de entender. Pode até ser que você direcione maior parcela de seu tempo numa questão específica, por ser seu “carro-chefe” na vida, entretanto, isso não o impede de querer investir um pouco em outras (e não há nada errado nisso).

Enfim, no fundo, acho que todos tem um pouquinhos das três ciências dentro de si, mas algumas são mais trabalhadas (e incentivadas à isso) que outras. Como foi dito em algum lugar na Internet, “afinal sem matemática e engenharia não se pode sobreviver, mas sem arte e sem compreensão do mundo, não se pode viver.”

Abrir mão de das ciências humanas é abrir mão de parte de si mesmo, negar sua própria compreensão. A vida não é toda regrada e exata como a matemática; nem tudo possui uma lógica tão simples como base. Não somos criaturas tão limitadas, nosso cérebro pode abranger uma quantidade de informação enorme, e nossos interesses não necessariamente precisar estar estritamente relacionados. Somos seres amplos, complexos, não há porque nos diminuirmos a algo tão ínfimo e simplista. Somos mais do que isso.

 ~ VK ~