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sábado, 27 de fevereiro de 2016

"Bufo & Spallanzani", de Rubem Fonseca ~



Na busca de histórias diferentes que fogem daqueles romances idealizados água-com-açúcar, com descrições mega idealizadas, personagens transbordando sentimentos tão ingenuamente, que geralmente são escritos por mulheres, uma amiga me apresentou ao Rubem Fonseca. Queria conhecer narrativas sob uma visão “mais masculina”, sem todos aqueles terecotecos melosos enfeitando cenários e personagens. Algo simples, objetivo e direto. E encontrei isso no Sr.Fonseca.

Esse não foi o primeiro livro que li desse autor, e sim “O Seminarista” (obra maravilhosa também, que futuramente pretendo fazer um post sobre). Porém, é tão incrível quanto. Confesso que em “Bufo & Spallanzani” eu nada conhecia (descobri hoje que tem até filme BR dele), nunca tinha lido sinopse, visto resenha de alguém, nada. Foi um tiro no escuro. Como gosto do autor, escolhi aleatoriamente alguns livros deles num sebo de Guarulhos, já julgando que qualquer um que eu pegasse não me desapontaria, e de fato, não desapontou.

Essa versão que eu comprei, não possui sinopse nem nada que fale um pouco sobre do que se trata a história. Iniciei a leitura na total ignorância, sem saber se era uma história só ou uma coletânea de contos (como um outro que comprei dele intitulado “Ela e outras mulheres”). Entretanto, desde as primeiras páginas, a narrativa foi me cativando, e, quando dei por mim, já tinha sido conquistada por ela.

“Bufo & Spallanzani”, assim como outras obras do autor, tem uma trama policial narrada pelo personagem principal, Gustavo Flávio, um escritor que está desenvolvendo um livro com o mesmo título e está sob a mira do policial Guedes, que investiga a morte de uma rica moça chamada Delfina Delamare. Ao decorrer dos capítulos, Gustavo vai contando sobre a criação de seu livro, fala do seu passado, de sua inicial indiferença por mulheres, do porquê de ter tanta aversão pelo policial, etc. 

Porém, é bem diferente do tradicional gênero policial de Agatha Christie ou de Sir Arthur Conan Doyle. Nas obras de Rubem Fonseca, apesar de também possuir um caso de homicídio, o foco não está em descobrir quem é o criminoso, mas sim expor a brutalidade com que ocorre e como vai decorrendo até desvendar. 

Os vilões de Fonseca são seres extremamente frios, que nunca demonstram arrependimento, maioria deles são pessoas de classe alta, cuja fortuna permitem controlar uma série de outros criminosos, e o “mocinho” não costuma ser beeem um mocinho. Não há essa ideia de um personagem 100% bom, honesto, que quer justiça, mas de uma pessoa “normal”, que também erra, não tem uma inteligência e sensibilidade tão alta como de Hercule Poirot, e em alguns casos comete crimes, tem um passado sujo, e por aí vai. A violência urbana está quase sempre presente nas narrativas de Rubem Fonseca, assim como sexo/prostituição e corrupção. Ele me lembra um pouco do Bukowski ao mostrar esse lado podre da sociedade, a hipocrisia da burguesia, personagens de vida vazia que o preenchem com o sexo, enfim, uma crítica social.

Em suma, “Bufo & Spallanzani” me surpreendeu bastante, não deixou nada a desejar e faz jus à grandiosidade de seu autor. A leitura é bem fluida, repleta de diálogos, ações e cenas mais próximas da realidade do que da fantasia-romântica, faz você se envolver com a história, querendo saber mais sobre o narrador-personagem, e mais ainda quem e por que que aquela mulher foi morta. Apesar de Gustavo não ser um santo, é possível sentir facilmente empatia por ele. Além disso, esse livro é bem interessante também devido aos diálogos e reflexões dos personagens à respeito dos escritores e da “arte de escrever”: escrever é realmente fácil e qualquer um que quer dinheiro simplesmente senta e escreve? Vale a pena a leitura não só para o puro e agradável entretenimento mas para entender essa questão ai. ;)

~ VK ~

Mais sobre Rubem Fonseca:
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/r00004.htm

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Como escrevo meus textos? ~

(Antes de começar, gostaria de deixar beeeem claro que tudo o que falo aqui é MINHA opinião, não a verdade absoluta. Não é obrigado a concordar, aceitar, nem nada. Pode acontecer também que essa técnica não funcione contigo. Ressalto que é uma estratégia que suuper deu certo COMIGO)

Que eu gosto de escrever, todo mundo que me conhece sabe. Carrego esse hábito comigo desde criança. Sempre fui apaixonada por criar histórias, falar sobre assuntos que me interessam, gostava de passar histórias em quadrinhos em textos narrativos, nunca achei ruim ter que escrever dissertações no ensino médio/vestibular, enfim, nada que envolva criação de texto me desagradou. Muuuito pelo contrário. Foi, é e sempre será um prazer imenso. Mesmo que minha graduação nada tenha a ver com isso, mantive o hábito de passar ideias em palavras. É minha válvula de escape, minha melhor terapia.

Escrever não é tão fácil como alguns imaginam. Requer não só criatividade (caso vá criar contos/histórias), mas estudo, paciência, esforço, persistência, organização e MUITO treino. Inspiração? Ajuda, mas confesso que ocupa uma parcela pequena dos “requisitos necessários”. Nem todo texto que foi escrito num momento de inspiração necessariamente será melhor do que qualquer outro que você escreveu com mais organização, análise e estudo. Lógico que ela ajuda a desenvolver novas ideias, mas não dá para depender dela. Ainda mais se a pessoa trabalha com isso. Não é viável chegar ao chefe e falar que hoje você não fará nada porque “não está inspirado”.

Por um tempo, tive o hábito ruim de achar que só deveria escrever se estivesse no pico da inspiração. Quando não estava, ficava adiando. Isso acabou condicionando meu cérebro a entrar em bloqueios mentais sempre que a inspiração tirava o dia de folga. Comecei a quebrar esse ciclo vicioso forçando-me a escrever um pouco todo dia, até recondicioná-lo a não ter preguiça de pensar. 

Quem escreve sabe do esforço mental que é produzir algum texto. O desafio não é ter ideias, mas sim conseguir passá-las para o papel de modo à reproduzir com fidelidade àquilo que pensou, e, principalmente, fazer os leitores enxergarem e entenderem essas ideias. Essa sim é a parte difícil. É muito fácil se frustrar ao começar a escrever, pois na sua cabeça rola uma história fantástica, mas você não consegue deixá-la tão fantástica assim ao transcrevê-la. Conseguir passar sentimentos aos outros também não é tarefa fácil. Se você erra na apresentação do personagem, não trabalhando corretamente sua essência, pensamentos e emoções, dificilmente seus leitores se envolverão com ela. Não vão conseguir imaginá-la com tais sentimentos, nem terão empatia, tornando a história fria e superficial.

E como amenizar esses problemas? 

1 - Treinando. Não tem jeito, se você não praticar, nunca evoluirá. E isso vale para qualquer atividade.

2 - Nunca achar que já sabe o suficiente. Sempre podemos aprender mais, ou, no mínimo, aprimorar o que já sabemos, fazendo melhor.

3 – Expor o texto para as pessoas. São elas que vão ajudá-lo a melhorar a escrita. Mostre seus escritos pelo menos para pessoas conhecidas e que você sabe que serão sinceros com você. Não tenha medo de receber críticas. Pode ser que um ou outro chegue e fale “Nossa, tá uma bosta”, e talvez realmente esteja. Do que esconder e continuar a escrever algo MUITO ruim, é melhor ter ciência disso e tentar corrigir as falhas. Com exceção desse povo mega excepcional e prodígios que já nascem escrevendo Best-Seller, maioria da população começa por baixo e vai ascendendo com a prática.

4 – Seja exigente consigo mesmo. Só finalize o texto se achar que realmente é o melhor que consegue fazer! Leia e releia quantas vezes forem necessários para ter certeza de que a leitura está fluida e que irá agradar. “Ah, mas é cansativo ficar relendo algo que acabei de escrever e já reli uma vez”. Meu amigo, se nem você está suportando reler seu texto, não espere que outra pessoa irá gostar. Não tenha preguiça de apagar e reescrever, nem que faça isso 98787323647 vezes. Se algo não agradou, refaça. E refaça, refaça e refaça até sair algo que você considere ótimo. Já teve textos que cheguei a jogar tudo fora e começar do zero porque não o julguei bem, estava cansativo, sem nexo e/ou sem graça. Você precisa estar satisfeito com sua obra em primeiro lugar.

5 – Estude. Como disse no início, escrever também requer estudos. E estudar não é apenas ler vários autores visando a estrutura de seus textos, como trabalharam o tema e a trama, etc. Estou falando de cursos de escritas mesmo. Podem ajudar bastante.

6 – Tenha paciência. Algumas vezes um texto leva minutos para ser desenvolvido, e outras levam horas, dias, semanas, meses... O importante é ter paciência e persistência, não abrindo mão só porque não está conseguindo escrever nada que preste. Caso esteja com a cabeça cheia, dê uma pausa, ande um pouco por aí, beba água, coma algo, e depois volte. Escrever cansado baixa muito de nossa produtividade, assim como em quase todas as atividades.

Bom, deixando o blablablá para trás, vamos ao que interessa. 

Como eu escrevo texto?

No objetivo de escrever melhor, sempre busquei técnicas diferentes para testar e ver se dava algum resultado. Pesquisava na Internet e perguntava para outros amigos escritores como eles criam suas histórias. Nessas e outras, encontrei um jeito que deu super certo comigo, tratando-se de criar um “esquema”, um “esqueleto” para o texto (não sirvo para sair escrevendo direto sem roteiro nem nada, pois acabo me perdendo, ou escrevendo o que não deveria, fugindo um pouco do assunto,etc). Não é a estratégia integral que falarei aqui, mas sim uma versão adaptada por mim.

O método que utilizo é o dos Quatro Quadrantes (nem sei se é esse seu nome, mas acho que combina com ele). Ele é útil para dissertações, textos e contos mais curtos, e funciona da seguinte maneira:

- Eu pego uma folha qualquer (sulfite, de fichário/caderno, qualquer um que tenha um verso livre) e risco duas retas, dividindo-a em quatro quadrantes;



- Enumero cada quadrado com um número, sendo que cada um corresponde à um parágrafo. 


- Ao decorrer da criação pode ser que você precise de mais, aí é só pegar um espaço que sobrou e colocar mais um risco e enumerar. A ordem da enumeração você que decide;



- O primeiro quadrante SEMPRE será do primeiro parágrafo, e o último a conclusão/final da história.

- No primeiro, como é a introdução do texto, marco quem é o personagem, em que lugar a história se passa, descrevo a personagem, falo de seus desejos e anseios, o que busca, posso citar um pouco de sua vida, enfim, apresento-a para o leitor, dando uma ideia do que se tratará o texto;

- Em cada quadrado, escrevo os tópicos que quero abordar naquele parágrafo correspondente. Escrevo o que ocorrerá, que cenas passarão, às vezes uma fala ou expressão que quero por (e anoto para não esquecer) e por ai vai, vou marcando todos os tópicos que devo trabalhar naquele parágrafo. Dessa maneira, não me perco na ordem cronológica da história.

- Em alguns casos, posso precisar fazer uma pesquisa prévia, como no caso do meu conto do Pneu. Pesquisando, consigo escrever melhor sobre tal objeto, desenvolver uma situação mais verídica etc. Gosto de anotar o que achei nas pesquisas na mesma folha do esquema, usando um quadrante só para isso. Nesse caso, nem enumero, pois sei que é apenas uma colinha. Se os dados são muito grandes, ai sim coloco numa folha a parte, mas a ideia é ter tudo exposto numa folha só para facilitar (não precisar ficar caçando).



- No último quadrante, seria a conclusão (no caso de uma Dissertação)/ o final da história/ fechamento de resenha. Ali escrevo o que concluí sobre tal tema, o que ocorre com o personagem, como a história termina, essas coisas. Tudo o que preciso por no fim do texto, anoto lá.

- No final, ficará mais ou menos assim (história meramente ilustrativa):



- Por fim, dou uma olhada em tudo para ver se não faltou nada ou se não repeti coisas.

- Roteiro feito, posso começar a desenvolver a história. É muito comum que eu adicione ou remova alguma coisa ao decorrer da escrita, pois acho que ficaria bom e que só enxerguei isso após desenvolver a trama. Não sigo 100% à risca, permito-me modificar algo.

- À medida que vou escrevendo, dou uma pausa para reler desde o primeiro parágrafo para ver se está coerente, se a leitura está fluindo bem, se não está cansativo ou repetitivo, nada fora de contexto, se não viajei nem nada.

A vantagem de ter um roteiro pronto é que posso deixar para escrever o texto outra hora, pois todas as ideias estão anotadas e organizadas. Mesmo se eu adiar para o dia seguinte, não terei esquecido nada e a história está praticamente lá. 

Enfim, essa é minha maneira de escrever. Todos os textos daqui do blog foram escritos dessa forma. Alguns, como o conto das Pipocas-Voadoras-Assassinas, usei outro tipo de estrutura, pois era um texto maior, um que acabei fazendo na hora (e nunca mais usei). Mas no geral, uso os Quatro Quadrantes. 

Independente do método que utiliza, o importante é você entender sua organização e não perder a linha de raciocínio. Não sei se ajudei alguém, mas é isso aí. ;)

~ VK ~




segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Pneus também possuem histórias ~

Qual é o protagonista das histórias que você lê? Uma garota ou um garoto? Um homem ou uma mulher? Animais antropomorfizados? Seres mitológicos? Heróis? Uma árvore? Com certeza você já leu diversos contos e narrativas com os mais diversos “tipos” de personagens centrais. Mas aí eu te pergunto: já leu a história de um pneu?

“Ora, mas quem escreveria isso? E POR QUE escreveriam isso?“ Aí eu que te pergunto: por que NÃO escrevê-lo?

Todo mundo tem uma história para contar, mas nem todos possuem alguém para escutá-la. Um mero e redondo pedaço de borracha como eu dificilmente atrairia os olhos de alguma pessoa. Poucos, pouquíssimos mesmos, gostam e notam a gente. Quando expostos num mercado, a maioria dos que estão ali apenas verbalizam um “Nossa, que cheiro forte de borracha nova!” ao passarem por uma pilha de nós. Ou na rua, quando um carro derrapa, esbravejam “Que fedor de borracha queimada!”. Mas olhar para nós e admirar, raros.

Não lembro exatamente quando fui fabricado, muito menos devo ter um nome. Se tenho, nunca me falaram. Só me recordo que, quando dei por mim, havia alguns números gravados em minha superfície que alguns diziam ser número da série ou lote, algo assim. Havia um nome também, mas pouco me importava, pois todos os outros pneus ao meu redor possuíam o mesmo (talvez o único pneu com nome seria o Bibendum, se é que posso considerá-lo como “apenas um pneu”). Me falaram que é uma tal de “marca”. Um dia, juntamente com três parceiros, fui colocado num carro. Nada muito ostentador, era um carrinho compacto bem simples que com certeza a juventude não desejava como sonho de consumo. 

Um dia, fomos parar nas mãos de um senhor bem simpático, Francisco Garcia. Devia ter uns 60 anos. Cuidava da gente com todo carinho. Ele já não trabalhava, vivia da mesada do filho mais velho. Maior parte da semana ficávamos passeando por aí. Viajávamos muito! Nem sei dizer quantos quilômetros rodamos. Sr.Garcia era desses homens que nunca gostou de ficar fechado em casa, adorava passear e conhecer lugares novos. Nada era tão longe (e caro) suficiente que ele não podia ir. Um dos seus “passatempos” era almoçar em outras cidades, ou até mesmo visitá-las só para ficar sentado em alguma de suas praças para ler jornal. Já para mim e para os outros três pneus, adorávamos também andar por aí, assim como olhar quem estava ao redor. 

Tudo era novidade. Pessoas, ruas, construções, cachorros urinando em nós, estradas, e até outros pneus. De vez em quando cruzávamos com algumas bicicletas, e ficávamos pasmos com a finura dos pneus que a levavam. Éramos bem mais robustos perto daquelas magrelas, mas não nego que tinham seu charme. Nem parecia que nascemos quase na mesma época, com uma diferença de uns 40 anos. 

Hoje, faz uns 170 anos que nós, pneus de carro, existimos, e ainda encontramos o nome dos pioneiros dessa invenção pelo mundo. Nossa história é meio confusa, cada um diz uma coisa. Mas com certeza você já ouviu falar, pelo menos os nomes, dos irmãos Michelin, que foram os primeiros a patentearem o pneu para automóveis em 1845, assim como Charles Goodyear que criou a borracha vulcanizada em 1839, que foi utilizada para criar nossa primeira geração. Os pneumáticos daquela charmosa bicicleta foram inventadas em 1888 pelo John Dunlop, na tentativa de evitar quedas de seu filho na bicicleta. Sim, certeza que algum desses nomes você já viu por aí. Se não viu, é porque está precisando sair um pouco mais de casa, meu caro. Garanto que o Sr.Garcia já viu muito. E falando no Sr.Garcia....

Nossa vida era muito boa com o esse senhorzinho, a única preocupação era que ele não entendia tanto da manutenção do carro. Confesso que nem eu nem meus três camaradas também sabíamos. Ninguém aqui foi instruído ao sair da fábrica, simplesmente saímos. Estávamos muito bem, obrigado, naquele carrinho preto, xodó do nosso Chico.

Um dia, contudo, algo havia mudado. Sair por aí começou a ser mais difícil, não para o Sr.Garcia, mas para nós. Nossa superfície parecia diferente, mais lisa. Parece que nosso desempenho tinha caído. Não fazíamos a mínima ideia do que podia ser. Não tínhamos feito nada de diferente, era sempre igual: ajudar o carrinho a sair por aí levando nosso senhor. Este, também não havia mudado nada em relação a nós. O problema veio quando seu filho nos viu. 

Lembro perfeitamente que nos olhou um por um com uma cara despreocupada, voltando para a sala logo em seguida. Não escutamos o que disse ao seu pai, mas minutos depois ambos vieram até nós e ficaram um tempo nos observando. “Tem um chiclete grudado em mim?”, pensei. Quem dera fosse. 

“Estão desgastados, precisa trocar”. 

Não havíamos nos dado conta que isso poderia ocorrer. Muito menos sabíamos que tínhamos “prazo de validade”. O que ocorre com um pneu depois de tanto tempo? Ficamos apreensivos, era a primeira vez que passávamos por aquela situação. Sr.Garcia entregou a chave do carro para seu filho, que saiu conosco. Olhamos para trás, e vimos que nosso Chico já havia entrado na casa e estava deitado no sofá vendo TV. Simples assim.

Bom, para vocês, não preciso explicar detalhadamente o que aconteceu, não? Sim, fomos parar num lugar esquisito e retirados do carrinho preto sem cerimônia alguma. Não vimos direito o que ocorreu, lembro de relance apenas que um pneu novinho, em toda sua glória, foi levado até o carro. Provavelmente ocupando nossos lugares. E quanto a nós? Cá estamos jogados num depósito com outros pneus “velhos”. Não sabemos ainda quando sairemos daqui. Só sei que faz um tempo que virei berço de mosquito.

Se um dia sairemos, é um mistério. Por ora, ficamos largados aqui dividindo nossas histórias. Alguns já estão tanto tempo que a insanidade os levou. Outros, se mantém esperançosos. Há boatos de que pode ocorrer uma tal “reciclagem” com alguns de nós em melhor estado. Será que posso virar mesmo uma poltrona? Não sei, muitas coisas do mundo ainda desconheço. Mas não seria nada mal. Imagina se isso ocorresse, e daqui, do meio dessa pilha bagunçada e esquecida, eu fosse reformado e parasse na sala de alguém. Após uma vida nas estradas, não seria nada mal uma aposentadoria assim, tranquila, na calmaria da sala vendo TV com os familiares. Quem sabe um dia até o próprio Sr.Garcia pare um pouco para fazer isso.

Mas creio que são apenas sonhos. Sonhos que mantém a luz da esperança acesa. No fundo todo mundo deve saber que sua vida acabou faz tempo, mas recusam-se a admitir e se conformar. Nem tem como se conformar. Para nós, sobrou apenas o limbo, e nada nos resta além de esperar.....esperar......e esperar.




~ VK ~

Fontes:

www.fiesp.com.br
www.portalsaofrancisco.com.br
http://dunloppneus.com.br
www.pneusfacil.com.br
http://pneusbfgoodrich.com.br
www.anip.com.br


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Novos ares, novas inspirações? ~

Vista da janela, olhando de cima da beliche s2


Não sei até que ponto um ambiente novo e diferente pode ser inspirador.

É uma maravilha, pelo menos para mim, estar num lugar menos urbano, com árvores e gramado distribuídos por todo o território, sempre estar rodeada pelo som dos passarinhos, ver diversos deles cruzando o ar ou saltitando pelo chão atrás de insetos para comer. O campus é enorme, possibilitando que eu caminhe livre e tranquilamente por aí. Não há aquela sensação de “enjaulada” quando fico no apartamento, fechada entre quatro paredes o dia INTEIRO. Esse “quintal” disponível para usufruir quando quiser dá uma satisfação libertadora.



A melhor parte é que nunca sei com o que vou me deparar pelo caminho. Além dos animais das criações (gados, cavalos, frangos,etc), há também os selvagens. De vez em quando me trombo com tatus, lagartos, seriemas, carcarás ( ou os restos despedaçados de suas refeições), capivaras, tucanos, pica-pau e araras (aliás, cinco meses aqui e não consegui foto dessas últimas!). Quem vai mais além, já relatou lobo-guará e jacarés. Como amo fotografar, andar e ver animais em seu habitat expressando seu comportamento natural, sempre que posso saio zanzando por aí tentando “clicá-los”.




Bom, a questão é que eu acreditava que toda essa beleza abundante e escrachada, juntamente com a calmaria de Pirassununga, me daria ótimas ideias e inspirações para criar novos textos. Estava crente que novo ares varreria de minha mente o estresse cotidiano, dando espaço para a criatividade. Esses novos ambientes podendo virar cenários de histórias e contos, quem sabe.

Mas não.


Sinceramente, tudo o que mais tenho desejado é descansar e aproveitar de toda essa natureza, pois me é temporário. De fato, esse lugar é bem tranquilo, consegue fazer eu esquecer do estresse da cidade e me dar certeza que me dou melhor num lugar assim. Não nasci para me enraizar na cidade grande. Para passear é bom, mas para viver, NÃO. É muito difícil não me deixar contagiar com tudo isso. O bem que faz ao meu interior é gigantesco. Passo maior parte do dia nas aulas. Quando chega as horas livres, não quero “trabalhar”, quero mais é sentar e ficar observando o ecossistema fluir e sentir a energia que transmite tocar meu espírito.

Pois bem, só hoje tomei coragem para pegar lapiseira e papel, e parei para criar alguma coisa. Tudo isso, claro, próxima da janela tendo a vista livre lá de fora. Enquanto termino esse texto, fico sentindo o vento gelado entrar no quarto carregando o cheiro da grama molhada, ao mesmo tempo que a chuva cai sobre as folhas das árvores, ecoando uma sinfonia harmoniosa pelo campus. Realmente, não tem como transcrever toda essa beleza e sensações para o papel. 

Simplesmente indescritível.



~ VK ~

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Questão de detalhes e perspectivas ~

Quem me conhece sabe como gosto de tirar fotos. Não sou nenhuma profissional, nem fiz cursos, apenas tenho como hobby registrar momentos e cenários que vivo no dia-a-dia.

Por mais que passemos quase sempre pelos mesmos lugares de segunda a sexta, essa mesma cena pode se transformar em outra dependendo dos olhos de quem vê. Em minhas fotos, gosto de tentar pegar ângulos diferentes de lugares que estamos habituados, na tentativa de capturar o melhor que eles tem a oferecer, numa perspectiva que na maioria das vezes passa batido pelas pessoas.


Um dos vastos gramados dentro da USP Butantã


Além disso, certos detalhezinhos acabam sendo ignorados. Ao contrário dos objetos mais fáceis de serem detectados pela nossa visão, principalmente aqueles que ficam na altura de nossos olhos, muitas minuciosidades carregadas de beleza e detalhes próprios simplesmente tem sua existência esquecida, ou julgada como de pouca importância para darmos a devida atenção. Adoro reparar em cada pedacinho, ver as formas, as cores, como se equilibram no ambiente, a harmonia que possuem, sua textura, etc. Em paisagens, gosto de ver um mesmo lugar se transformando dependendo do tempo, podendo adquirir um aspecto mais alegre ou sombrio apenas com a presença do sol, da chuva, do vento, de nuvens encobrindo o céu.

Pensando nisso, resolvi fotografar essas pequenas coisas. Registrei vários itens pequenos e discretos pela casa, ou apenas num ângulo diferente do habitual, com o intuito de, ampliando-as, possam receber um pouco mais de admiração do que normalmente recebem. São imagens que diariamente me acompanham, estão sempre comigo, mas raramente pouso meus olhos sobre elas reparando em cada centímetro (ou milímetro), menos ainda as observo sob um ângulo diferente (por exemplo, em vez de olhar de frente, a olhei debaixo para cima, e por aí vai).

De fato, eu acredito que, não apenas a maneira como enxergamos o mundo, mas sim os detalhes que fazem toooda a diferença.

Ah, já aviso que não tenho câmera nem semi nem profissional. É uma digital comum, mas rosa e linda do meu coração. S2




Leque


Paninho do criado-mudo


Uma gota caindo


Gotícula se formando no bebedouro


Poeirinha aleatória no piso `-´


Acabamento em mármore


Porta-chaves da sala


Enfeite de espelho


Porta-chaves do meu quarto


Peso de porta do meu quarto u3u


Base de um enfeite de pássaro de madeira

Base de um enfeite de pássaro de madeira



Penas


Ração do Pii


Detalhes do pingente de peixe


Dobras e detalhes do lençol


Cadarço


~ VK ~



terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Como organizo minhas tarefas ~

Organização nunca foi meu forte, porém, tive que aprender a adotá-la em minha vida, pelo menos para a faculdade e trabalho. Todo início de ano gosto de reorganizar tudo: armários, gavetas, guarda-roupa, cômoda, sapateira, bolsas, etc. Entretanto, esses não são os compartimentos que vão manter o fluxo de minha vida ao decorrer do ano.

A questão torna-se um pouco mais complexa quando tenho que organizar atividades e compromissos. Para isso, desde que me deu por gente, sempre gostei de utilizar AGENDAS. Não tem jeito, só consigo usar as impressas. Agendas digitais sempre ficam esquecidas por não ter o costume de ficar olhando. Gosto de anotar à mão e à minha maneira, com várias flechas, esquemas, cores diferentes, desenhos e afins, algo que no celular não consigo. 

Comprar uma agenda nova é sempre uma felicidade! Adoro ficar olhando váários modelos, em diversas lojas, até achar uma que eu bata o olho e na hora venha na cabeça: "É essa! s2" Como é algo que vou utilizar o ano inteiro, escolho com muito cuidado para não me arrepender, afinal, será minha parceira de todos os dias.

Além da agenda, utilizo outros objetos para me auxiliar na organização de meus afazeres. 

1 - Porta-recados



Geralmente ficam num lugar de fácil visualização, como em cima do criado-mudo. Neles, anexo anotações de tarefas que preciso fazer o quanto antes, ou dados (como telefone) que preciso registrar na agenda (convencional ou telefônica) ou retornar ligação.

2 - Acessórios e cacarecos



Para dar suporte ao que anoto na agenda, uso bastante clips para marcar as páginas no qual anotei algum compromisso ou data de entrega de trabalhos. Costumo marcar só do mês referente. Só a partir da penúltima semana vou colocando nas do mês seguinte. 

Bloquinhos de anotações uso para anotações rápidas para fixar nos porta-recados ou mural, ou até mesmo para fazer lista de compras. 

Marca-textos utilizo para dar destaque nas tarefas mais importantes, principalmente àquelas que anexo no mural ou porta-recado, para quando passar em frente, ver aquele fluorescente cegante pedindo por atenção.

3 - Mural de Ímãs






Aqui coloco aqueles ímãs de lojas, anotações, papéis à entregar, às vezes penduro boletos à pagar e, claro, fotos pessoais s2 Quando tenho muuuita coisa da faculdade para memorizar (data de provas, entrega de trabalhos, etc), gosto de anexar nele aqueles calendários referente ao mês com espaço para anotar, marcando as datas mais importantes com marca-texto rosa.

4 - Agenda Telefônica




Essa agenda é bem antiga, mas ainda serve. Nunca uso a agenda telefônica que vem no fundo da agenda convencional, pois tenho a neura de que, se minha bolsa for roubada, a pessoa terá acesso à informações de contatos que eu não quero. Então, essa aqui não sai de casa. Ela me serve de back-up, porém, quando o espaço é meio limitado, só não a uso quando tenho que anotar endereços looongos (aí uso um caderno a parte pra isso).

5 - Agenda e Caderneta



Às vezes posso até deixar a agenda em casa, mas nunca saio sem uma caderneta na bolsa. Gosto de ter onde anotar informações que encontro quando estou por ai, ou até ideias que me venham do nada. Também é útil para eu anotar lista de compras.

Algumas pessoas usam uma agenda para cada propósito (faculdade, trabalho, coisas de casa...), mas gosto de ter uma só. Acho mais prático e consigo colocar tudo ali sem me perder.


Também gosto de reaproveitar agendas de anos anteriores (retiro as páginas usados, deixando só as em branco) para usar como caderneta. Alguns cadernos que também reaproveito assim, são utilizados como base para meus textos do blog. Neles que posso iniciar algum post, ou anoto e faço esquemas de ideias para serem trabalhadas.


Bom, esses aí são meus itens padrão que deram certo comigo. Sempre procuro por aí alguma outra forma de organizar, mas nunca largo estes. Mostraram-se bem eficientes para mim. Se um dia eu encontrar algo diferente, voltarei para comentar sobre. x3

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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Eragon - Ciclo da Herança ~





Passados nove anos, finalmente terminei o Ciclo da Herança! ;0;

Comprei o primeiro livro da série em 2009, mesmo ano em que saiu o filme aqui no Brasil. Como adorava livros de fantasia, ainda mais sabendo que tinha dragões envolvidos, resolvi apostar na história.

A série, escrita por Christopher Paolini, se passa em Alagaësia, terra dominada por um rei tirano chamado Galbatorix (e seu dragão Shruikan), um antigo Cavaleiro de Dragão que se voltou contra os outros cavaleiros, derrubando todos que não se aliaram a ele. Anos depois, Eragon, um jovem camponês (nada muito diferente do clichê) que leva uma vida humilde no sítio de seu tio Garrow, junto com seu primo Roran, caçava na floresta quando uma estranha “Pedra azul” surge na sua frente. Após um tempo, ele descobre que não se tratava de uma pedra, e sim de um ovo de dragão.


A história não foge muito do convencional: um jovem que é escolhido contra sua vontade, precisa aprender a lutar e dominar a magia, encontra diversos aliados e inimigos pelo caminho, para então confrontar o rei e seu mega dragão negro. Se você espera um livro adulto, Eragon não seria a melhor escolha. Particularmente, considero uma obra voltada mais ao público jovem (até porque seu escritor escreveu sua primeira parte quando tinha apenas 15 anos), e é uma leitura agradável se deseja apenas descontrair. Não é daquelas histórias mega cabeça e cheio das filosofias.

A série é composta por quatro livros: Eragon, Eldest, Brisingr e Herança. Aqui no Brasil, O primeiro foi lançado em 2005, o segundo em 2006, o terceiro em 2008 e o último só em 2012! Confesso que foi brochante ter que esperar tanto tempo para saber do final da história, fora a espera do livro baixar de preço porque estava caro demais no lançamento.




Em 2006, fizeram o filme da série, que recebeu duras críticas. Se você não viu os livros, não vai gostar tanto. E se leu, vai odiar profundamente. A história do filme passa super rápida, parecia até que fizeram com pressa de acabar. No livro, é contado todo o cuidado que Eragon teve para criar Saphira de filhote até adulta, escondendo-a na floresta devido ao seu tamanho e tendo que alimentá-la e tal, além de mostrar aos poucos como começaram a se comunicar mentalmente, sendo bem trabalhada esse laço que possuem entre eles. O nome também foi ele que decidiu, com Saphira opinando. Já no filme, quando o dragão está com um tamanho razoavelmente grande (mas suficiente para que o jovem a pegue no colo), Eragon está ensinando-a a voar. Quando consegue, ela sobe alto ao céu, cruza nuvens e, quando pousa, está absurdamente ENORME! Suas asas lembra mais as de um gavião do que dragão (bem diferente do descrito nos livros), e logo que aterrissa, ela faz contato mental com Eragon, apresentando-se como Saphira. A personalidade dela também é bem diferente. No livro ela é bem mais sarcástica, orgulhosa e vaidosa, além de ser bem mais claro o carinho que sente pelo seu cavaleiro. Não tem como não se cativar por ela. 

O aprendizado de Eragon também é bem gradual, seja na espada como magia, enquanto no filme, após um único e breve treino, o jovem já está arrebentando tudo na cena seguinte (???). Mas, o que mais me chocou, foi que Arya, a elfa principal da história, simplesmente não tem a orelha pontuda típica da sua raça no filme. Ela é praticamente uma humana comum mas que sabe brigar e3e’



Em suma, o filme conseguiu estragar o livro. Paolini deve ter ficado decepcionado com o que fizeram com sua obra, duvido muito que tenha continuação. #chateadíssimo

Apesar desses pesares e desgosto que o filme provocou, recomendo muito o Ciclo da Herança para quem deseja uma leitura leve para puro entretenimento. Li todos rapidamente (exceto o último, que demorei para adquirir), mas só acho que o final poderia ter sido mais emocionante. De qualquer maneira, com certeza Eragon está na lista dos meus livros favoritos.

~ VK ~

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Essa tal ociosidade...~



Qual foi a última vez que você se deu ao luxo de fazer “nada”? Creio que fazer absolutamente NADA é impossível, pois mesmo parados, nossa cabeça está à mil.

Cada vez mais a sociedade se recusa a ficar sem fazer alguma coisa, principalmente a geração mais nova que já nasceu com um Smartphone na mão para se distrair. Procuram ter algo com que se ocupar a todo momento, executando até várias atividades simultaneamente. Os dedos não param na tela do celular. É uma agonia esperar de segundo em segundo uma nova notificação para verificar. Ficar parado sem ter nada em mãos, principalmente em fila de banco, dentro do metrô/ônibus, ou enquanto espera alguém, parece cada vez mais torturante. 

Se essa impaciência de ficar “fazendo nada” é um defeito da modernidade, não sei, não vim discutir isso. Mas, observando as pessoas à minha volta, principalmente as mais novas, notei uma coisa: já que procuram estar com a mente ocupada 100% do tempo, em que momento do dia, exceto na hora de dormir, elas param para apenas “pensar”?

Antigamente, há muuuuito tempo mesmo, grandes filósofos e pensadores eram, em sua maioria, pessoas que não passavam 99% das horas ocupadas trabalhando para ganhar a vida. Pelo contrário. Eram pessoas que tinham tempo para parar, sentar em algum lugar sossego e pensar. Isso, simples. Pensar. Refletir sobre a vida, seja a sua ou do mundo todo, mas pensava. Não que eu espere que todos façam isso. A questão é: utilizando a maior parte do tempo para ficar hipnotizado atualizando freneticamente suas redes sociais ou verificando se responderam sua mensagem, quantas horas, em uma semana, estamos utilizando para nós? Será que se resumiu apenas na hora de dormir? Isso é, se não são desses que até quando pousa a cabeça no travesseiro, não larga o smartphone até pegar no sono.

Sou dessas que viaja mentalmente com grande facilidade, ainda mais se estou escutando música. Quando fico parada num trânsito ou numa fila, gosto de observar o que ocorre ao redor, ou simplesmente fico “scaneando” minha vida detalhadamente. Penso em tudo o que tenho que fazer, se tem algo que posso resolver naquele mesmo dia, se tenho algum problema pendente, em como resolver esse problema, o que fazer chegando em casa, planejando alguma atividade para o fim de semana, etc. Ou até vendo como está minha vida atual, se estou satisfeita, se tem algo que posso melhorar, se tem algo que quero mudar, se não estou feliz com algo tendo entender o porquê da insatisfação, e por ai vai. Enfim, sempre que acho tempo livre, dedico-o à mim. Claro, nem sempre fico fazendo essas auto-análise; em muitos casos, apenas fico fantasiando e idealizando situações para rir sozinha feito uma retardada no meio da rua.

Acredito que ter tempo para cuidar de si é importante, não só a parte estética, mas PRINCIPALMENTE a psicológica. Refletir se está seguindo o caminho que desejou, se algo está errado, se está tomando decisões corretas, se gosta da pessoa que se tornou (ou está se tornando), tudo isso é ótimo para nosso autoconhecimento. Quando trabalhamos ou estudamos integralmente, ficamos tão ocupados com preocupações externas que resta pouquíssimo tempo para nossas questões pessoais. Lembro quando entrei na faculdade; até me adaptar à rotina de estudos integrais, adicionado com os dias que treinava Tênis e outros que ajudava um grupo de estudos a organizar palestras, mal tinha tempo para respirar ou para se dedicar à mim. Única oportunidade que tinha para isso era quando estava no meio do trajeto casa <--> facul ou em algum fila, e mesmo assim só conseguia quando nenhuma preocupação dos estudos me assombrava e dominava minha mente. 

Foi nessa que comecei a me perder dentro de mim mesma. Chegou um ponto que, um dia, numa conversa aleatória, me perguntaram do que que eu gostava e eu não soube responder. Ao tentar pensar, só me via matérias das aulas na cabeça. Nem preciso falar que aquilo me assustou. Tive a sensação de que perdi parte de minha identidade por ter passado tanto tempo só no “piloto automático”, só cumprindo tarefas, obrigações e afazeres que nada tinham a ver com minha vida pessoal.

Bom, felizmente, aos poucos fui me recuperando e utilizando essas horas ociosas ao meu favor. É um alívio poder deixar de lado, nem que seja momentaneamente, suas preocupações para apenas pensar no que você gosta e quer. Pensar no que faz bem para seu espírito e você. Além disso, a neura de que posso receber um e-mail mega urgente naquele instante que NÃO verificá-lo. ~Sério. Celular tem uma habilidade enorme de fazer o tempo passar rápido demais. Gasta boa parte do dia descendo uma Timeline procurando por algo que nem você sabe. O importante mesmo, seja em posts ou mensagens, você gastou nem 20min. O resto foi groselha. Uma groselha que te absorve e faz você querer ficar nela.~

Em suma, apenas estava refletindo como o hábito de apenas pensar tem se tornado raro ultimamente. Pelo menos parece. E muito. A ociosidade tem perdido seu lado positivo. Cada vez mais utilizamos essas horas livres para olhar para uma tela, olhando a vida dos outros, do que usar para olhar para nós mesmos. 

Pense mais. Sonhe mais. s2

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Meu blog vai continuar? ~



Depois de tanto tempo prometendo à mim mesma que voltaria a blogar com mais frequência, enfim consegui. Tem sido maravilhoso voltar à escrever, expor o que passa na minha cabeça, tirar “ideias da gaveta” para quem quiser ler. Escrever é uma terapia; é como se estivesse desabafando, pondo para fora o que fica entalado na garganta, ainda mais ideias que ficam pipocando na mente, me incomodando. Além disso, quando passo para o papel aquilo que penso, tenho uma visão melhor dele, dando-me oportunidade de organizá-lo de uma maneira mais efetiva e, em alguns casos, achar soluções e conclusões mais facilmente.

Ultimamente tenho escrito mais textos aleatórios, seja resenhas, crônicas, opinião pessoal de algum assunto, etc. Ando um pouco afastada do universo de contos e histórias. Sinto muita falta de escrevê-los, mas não tenho tido muitas ideias diferentes, e nem paciência (sim, demoro MUITO para fechar um conto. Não paro até julgar que dei o melhor de mim). Não sei ainda como serão as publicações daqui esse ano. Não costumo fazer aqueeeeeele planejamento. Geralmente escrevo o que vem na telha no momento, ou sobre algo que vivenciei e quero dissertar sobre. Porém, ainda estou de férias, e mal tenho saído devido a falta de dinheiro, ou seja, não tenho andado tanto por aí, coletando informações e situações que possam virar post. Talvez quando as aulas voltarem eu consiga mais.

Falando nas aulas, estou ansiosa para começarem. Não aguento mais passar tanto tempo dentro de casa. Se ao menos estivesse saindo, viajando, curtindo, okay, mas não está sendo o caso. Não sinto que meus dias têm sido produtivo, e isso me tortura mentalmente (sim, ODEIO ver que meus dias estão sendo mortos e mal aproveitados). Apesar de gostar de curtir momentos em meu cafofo, gosto mais ainda de estar ao ar livre vendo a vida que há lá fora. Outra coisa em relação à faculdade: estou mais determinada a mergulhar mais na medicina, e creio que isso irá implicar em deixar um pouco de lado meu “lado Humanas”. Espero conseguir conciliar os dois, mas acho meio difícil. Até hoje não consegui pensar numa maneira de trazer textos voltados à minha área sem virar polêmica, ou de maneira que todos consigam entender e se interessar. Gosto de textos leves, descontraídos, que os leitores sintam prazer de ler. Creio que temas técnicos/científicos ficariam meio pesado, e exigiria um conhecimento prévio de alguns temas para total compreensão. Espero conseguir escrever algo de fácil entendimento sem perder sua credibilidade e informação. Treinarei isso!

Estava querendo voltar a fazer mais resenhas sobre livros que leio. Entretanto, é uma dificuldade IMENSA conseguir terminar um enquanto estou em aula. A facul exige tempo demais, seja tendo aulas o dia INTEIRO, fora o estudo para assimilar as matérias nas horas vagas. Não quero prejudicar meus estudos. Verei ao decorrer do ano se consigo me organizar para isso.

Enfim, quero muito manter o blog ativo, pois postar nele me faz um bem enorme. É minha zona de refúgio, quando saio um pouco da vida e problemas rotineiros para praticar um hobby que tanto amei a vida toda. Mas, sinto que terei que sacrificar um pouco do tempo investido nele para crescer em minha profissão. Não largá-lo totalmente, mas postar em intervalos maiores. Farei o planejamento aqui, me adaptando conforme a rotina exige. Espero conseguir mantê-lo em minha vida, pois escrever é uma paixão tão grande e antiga quanto à que sinto pela Medicina Veterinária. 

~ VK ~

Compartilhando o que fortalece; omitindo o que enfraquece ~



Já faz tempo que as pessoas associam as redes sociais como uma "mentira", uma vida idealizada, pelo simples fato de que a maioria só posta as coisas boas que ocorrem em suas vida. Até há pesquisas que alegam que o Facebook pode gerar depressão, pois alguns ficam apenas ali, "stalkeando" perfil alheio, invejando a vida - aparentemente - perfeita que leva, e a sua não. Ignoram que aquilo são apenas MOMENTOS, não a vida toda da pessoa. "Aah, olha como fulana tá sorrindo e feliz na selfie". Cara, quem garante que ela estava bem naquele dia? Pode muito bem ter se fotografado por tédio, ou na tentativa de se animar um pouco, mas assim que sua imagem foi registrada, seu sorriso desapareceu da face. 

E não é só no Facebook/Instagram que essa inveja brota. Muitos também ficam comparando sua própria vida com a vida de Youtubers. "Puxa, como ciclana viaja, ganha coisas, compra só em lojas caras..." Mais uma vez, tiram a conclusão da vida do cidadão por causa de um vídeo de seis minutos, ou por causa de fotos que publicam, ignorando o que ocorre quando a câmera está desligada. Isso quando o youtuber não assume um "personagem" nas gravações, e seu público acha que ele é assim 24h por dia. Raramente expõem aos seus seguidores seus problemas pessoais, fazendo alguns acharem que eles não tem, que a vida deles é pura festa e diversão. Seria um erro de quem publica? Sinceramente, penso que não.

Creio que o problema não é do conteúdo que está sendo exposto na internet, e sim a maneira como estão sendo recebidas e interpretadas. Se alguém está usando esse material para se comparar e ficar se sentindo mal, é uma decisão dela, não culpa de quem forneceu. "Ah, mas é muita falsidade ficar só postando os bons momentos", "Posta como se fosse a pessoa mais feliz do mundo". Bom, ninguém é obrigado a gritar ao universo seus problemas na vida, muito menos se está na fossa ou  não. Nem tudo precisa ser compartilhado, ainda temos o direito de escolher o que mostrar ou não de NOSSAS vidas. Além disso, não há nada mais deprimente do que acessar seu Facebook e se deparar com uma "Timeline da Depressão", emanando uma energia tão negativa que até você se sente mal. 

Tenho a ideia de que é altamente positivo você passar para a frente aquilo que carrega boas energias. Não significa que está mentindo, ou que está fingindo que sua vida é mágica. Não. Apenas poupa seus amigos do Facebook de uma negatividade gratuita. Quando estamos na bad, costumamos conversar com alguém, falar sobre, mas geralmente esse alguém é uma pessoa PRÓXIMA, em quem confiamos nossos "momentos de fraqueza", ou seja, não são aqueles monte de números que mal falam conosco, mas nos seguem (e estão ali para nos julgar mentalmente). Até porque, aqueles que costumam postar muuuitas frases e textos de depressão, cheio de mágoa e desilusão, costumam ser retirados da Timeline, porque ninguém suporta tanto choro e publicações que parecem estar pedindo pela piedade alheia. Sei que alguns fazem só para desabafar, mas é inegável que acabam tendo um efeito negativo em que vê.

Não há nada mais gostoso do que viver e ter com quem dividir suas vivências. É triste não ter com quem compartilhar nada, guardar só para si. Viver aquilo e não passar para ninguém, ainda mais algo que foi importante ou interessante para você. Passar suas experiências e alegrias para o próximo é gratificante, ainda mais quando bem recebidas. Contagiamos as pessoas com nossas energias, e nada mais justo do que tocá-las com energias que nos animam, e não que nos colocam para baixo. É meio triste pensar que uma situação de felicidade é transformada em algo ruim gratuitamente.

Se você é uma dessas pessoas que ficam acessando o perfil de terceiros só para se remoer de inveja, lembre-se de que o que está ali não é nem um décimo da vida da pessoa. Ficar se comparando destrutivamente não é saudável e nunca será. Só acaba com a auto-estima (que já deve ser bem baixa para agir assim). Publicações que parecem emanar felicidade não deviam ser recebidas com tristeza; no mínimo, deveria ficar feliz por ela, por estar tendo momentos alegres. Se acha que sua vida está ruim, é mais produtivo pensar em soluções para melhorar (nem que seja de pouco em pouco) do que só se encher de desgosto pelo que possui. Sua grama nunca será mais verde do que a do vizinho se só o regar com negatividade e amarguras. E talvez a dele nem seja tão verde assim.

~ VK ~