Pages - Menu

terça-feira, 14 de julho de 2015

Meu cafofo, meu lugar ~



Quando mais nova, tinha o costume de sair por aí para buscar inspiração para meus textos, ou simplesmente saía para sentar em algum canto e ficar desenvolvendo minhas ideias. Sentia-me melhor fazer essa atividade fora de casa, num ambiente com “mais vida”. Quem sabe se aquelas pessoas ao redor me renderiam alguma história. Às vezes, saía pelo simples fato de querer sair. “Por que ficar em casa fazendo nada se posso fazer nada em outro lugar?”.

Confesso que, mesmo gostando MUITO de ficar em casa na tranquilidade, muitas vezes isso me incomodava. Era estranho pensar que conseguia uma maior produtividade estando fora, em ambientes barulhentos do que no silêncio do lar. Não que eu ligue para esse negócio de “Aah, não é bom levar o trabalho para o cômodo em que repousamos”. Meu quarto é meu império. Meu mundo particular limitado à quatro paredes. Okay que várias vezes esse meu universo parecia beeem caótico devido à minha bagunça rotineira. 

Na hora de escrever ou estudar, gosto de organizar as ideias na mente, e por algum motivo, ver o ambiente desorganizado acaba afetando minha concentração. Talvez esse tenha sido um dos problemas de eu sempre fugir daqui para trabalhar em outro lugar: simplesmente não consigo produzir em meio à bagunça, mesmo sendo minha. Antes de iniciar, perdia uns 40 minutos arrumando minha baderna (sempre acabava durando mais porque no meio do processo me distraía com alguma coisa que achasse no meio do entulho).

Por um tempo, mesmo com o quarto em ordem, sentia que faltava alguma coisa ali no meu Império. Não parecia meu. Um toque de personalidade estava sendo requisitado. Sentia que precisava dar uma transformada no lugar, ficar mais minha cara, de maneira que eu me sinta melhor aqui dentro para produzir. Queria bater o olho em cada canto do quarto e poder sorrir.

Demorou um tempo, mas consegui: tirei umas horas da semana para revolucionar o local. Deixei à vista, sobre as cômodas e bancadas, só aquilo que eu gostava: fotos de amigos, meus bonecos de personagem, meus enfeites cuti-cutis, tudo que tinham um valor e significado para mim. Mudei alguns móveis de lugar, deixei tudo mais funcional, não só para eu poder trabalhar/estudar, mas que também facilite minha vida durante o dia-a-dia. Ver que tudo fluía em harmonia deixava-me com uma sensação mais leve.

Não sei vocês, mas fico mais à vontade estando “acompanhada” de meus personagens favoritos, sei lá, o lugar fica mais agradável. Não só por eu achá-los fofos, mas alguns estavam ali porque representavam alguma coisa. Dava mais ânimo de ficar ali.

Apesar da vida mais corrida, sempre que posso ainda tento dar uma escapada para andar por aí. Ainda gosto de me acomodar em algum canto e observar o que há em volta para ver se brota alguma ideia. Até quando estou voltando da faculdade, mesmo de fone, me atento à tudo o que está acontecendo, observando o mundo com todos os seus detalhes (só que com música de fundo). É bom voltar para casa com roteiros novos. Mais ainda poder desenvolvê-los sob os olhos de meus bonequinhos, ali, em MEU refúgio.

~ VK ~

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Para uma ocasião especial chamado nunca ~



Creio que todo mundo já guardou alguma coisa que teve dó de usar depois. Mais ainda, comprou algo porque achou bonito, mas sempre adiou o momento de estrear. Ou até mesmo usou, mas economizava tanto, com medo de acabar, que acabou vencendo (e ainda restava uns 70% do produto. 70% indo pro lixo, junto com 70% gasto nele que você jurava que estava aproveitando da melhor maneira possível, sem desperdício).

Tinha acabado de me mudar. Estava animada em organizar as coisas em meu quarto. Como era lindo ver aquelas gavetas, bancadas e armários vazios, tendo a chance de arrumar como quiser, tentar fazer melhor do que como estava antes! Retirava os itens da caixa animadamente, revendo coisas que nem lembrava que existia. Cada caixa uma surpresa, parecia uma criança. Encontrei monte de canetas que nunca foram usadas; adesivos de agenda e caderno intactos; papeladas infinitas que eu nem sabia porque estavam ali; chaveiros quebrados (o pingente era bonito, poxa); coleção de batons; cadernetas fofas, etc.

A magia, porém, desapareceu quando fui abrir a antepenúltima caixa e notei que já não tinha lugar pra mais nada. Fiquei uns quinze minutos tentando ver se dava pra reorganizar alguma coisa pra abrir espaço. Mexia, remexia, mudava a forma de guardar, mas nada. "Caramba, e agora?".

Por mais que tentasse, não conseguia mais espaço. "Bom, vamos ver...". Abri a gaveta com as canetas. "Será que ainda pega?" Testei todas, uma por uma, descartando todas que falhavam ou nem funcionavam. "Uma pena, tão bonitinha". Muitas sabia que não pegavam mais, porém, tinha guardado pra mim, era tão cuti cuti que deu uma dorzinha no coração de me desfazer. Amo muito minhas coisas, mas amo mais ainda quando têm função para mim.

Joguei também meus chaveiros e outros itens quebrados. Não ia arrumá-los, tinha ciência disso, não poderia me enganar. Guardava na esperança que um dia o faria, ou porque era apegada mesmo à eles. Lembro do prazer que senti quando os comprei. "Mas já foi...duraram quanto podiam". Descartei. E assim fui fazendo com as outras coisas. Rasguei todo material que não ia usar mais; joguei perfumes e maquiagens que mal usei por pena de acabar, e que no fim acabaram vencendo; selecionei revistas que já li para doar, e livros que não gostei; separei roupas e sapatos que não usava há um ano (e sei que não fariam falta), etc.

Quando dei por mim, já haviam umas três sacolas só de descarte. Arranquei uma folha de uma das cadernetas e colei na sacola de doações com essa descrição escrita. Consegui arrumar tudo, e tomei coragem de usar tudo o que havia acumulado. Tudo que estava ali agora tinha um propósito. Algumas lembranças indispensáveis mantive (eu gosto, me fazem felizes, e são insubstituíveis).

Assim que terminei, olhei para o meu trabalho e senti uma leveza. Não ter nada ali preso deu uma sensação de liberdade. Parecia que tinha tirado um enorme peso das costas quando me desfiz daquele excesso de itens acumulados (um peso morto, grosseiramente falando). Tudo agora tinha seu lugar em meu quarto, e quando acabavam, abriam espaço para algo novo entrar. Nada mais estava estagnado, tudo agora iria fluir, acompanhando o tempo, juntamente como minha vida.

~ VK ~


sábado, 4 de julho de 2015

Fantasia real de uma realidade sonhadora ~


"A magia está nos olhos de quem vê". Uma frase tão cliché mas que faz todo sentido, não apenas uma oração para sair declamando por aí como se tivesse descoberto o sentido do mundo.

Não queria que fosse apenas a realidade de meus olhos, inexistente para o resto do mundo. Queria que todos vissem o que vejo, com a mesma clareza, e quem sabe, intensidade de emoções. Aah se tudo isso fosse real...pouparia-me muitas dores ao decorrer das noites. Dores que pensei que não sentiria mais. Não tão cedo.

Pouparia-me também o tempo investido em sonhos que não se tornarão reais, mas que confortam-me nas entrelinhas da ilusão. Mesmo que pouco, abraçam meu coração, selando suas lágrimas num beijo doce e gelado.

Sorrisos que não sei se me alegram ou me machucam, um olhar que não sei se quero encontrar. Às vezes tudo parece certo, mas no instante seguinte parece um erro. Cenários conhecidos que temo o que pode se seguir, pois conheci essa história e já vi como é o fim. Um diferente tão igual, vai me acolhendo em felicidade e melancolia.

Se isso for mais um sonho, não sei se quero acordar. Não sei se fico aqui aguardando se transformar num pesadelo, surgir o abismo onde cairei mais uma vez. Para onde correr quando a realidade e a ilusão mostram-se igualmente dolorosas e confusas? Sei lá que caminho será o menos pior...se é que algum será mais ameno dessa vez.

Falam que a cada queda ficamos mais fortes. Experientes, com certeza, mas se isso nos fortalece já começo a ter as minhas dúvidas. As feridas se fecham, mas as cicatrizes sempre estarão ali para te lembrar. Não encontro a parte do roteiro em que essas marcas não vão mais me incomodar.

Meus olhos enxergam coisas que ninguém mais pode ver. Já não diferencio mais a visão real do imaginário, ambas se mesclaram numa dimensão inalcançável. Mas talvez a vida seja assim mesmo, sonho e realidade dançando lado a lado, numa sintonia inexplicável. 

~ VK ~