Pages - Menu

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Carta para o Inverno ~



"Caro Inverno,

Não sei se costuma receber muitas cartas, não faço ideia de quantos admiradores deve ter. Poderia pedir para a lua levar essa mensagem, mas achei mais digno escrever diretamente para ti. 

Não há nada mais bonito do que as paisagens que você cria. Não é tão colorida quanto a Primavera, mas carrega uma beleza silenciosa que acalma meu espírito. Seja nos lugares que nevam, ou aqui mesmo, o frio de sua voz me presenteia com a tranquilidade. 

Época da terra, plantas e alguns animais descansarem, para que estejam prontos à produzirem quando a Primavera retornar, sua presença indica tempos de repouso, descanso, mas principalmente de mudanças, tanto do ambiente como para nós. Costumamos ficar mais quietinhos em nossos cantos, em nossas mentes, mergulhados mais à fundo em nossas reflexões e fantasias. Nos dá a chance de relaxarmos, de revigorar nossa energia para iniciarmos a Primavera com o espírito renovado. 

Há quem desconheça que essas gratificações estão aqui, esperando para serem descobertas. Seu império pode ser bem caloroso se não o rotularmos como nosso inimigo. Sei que não quer nosso mal.

É uma pena que muitos esquecem das regalias que nos fornece; esquecem do propósito de sua existência, da importância que tem para a natureza. Reclamam das rajadas frias que machucam seus rostos, da luta que é sair da cama quente logo cedo, ou do sacrifício que é para entrar no banho. A raiva pelo frio acabar com o conforto os cegam das belezas que nos concede. Quantos deles saíram de casa e olharam ao redor? Viram a aparência que você deu às árvores? Notaram na elegância das flores que desabrocham apenas quando o senhor aparece? Reparam em toda pintura que você deu ao nosso mundo?

Sei que ninguém é obrigado a te admirar, todos temos nossos preferidos, mas não imagino nossas vidas sem você. Sua ausência poderia até afetar a majestosidade do Sol. Talvez, sem seu frio, ninguém valorizaria cada dia de calor que ele nos agracia. Desconhecendo seu oposto, seus raios calorosos passariam despercebidos. Poucos são os que dão importância àquilo que tem todos os dias.

Gosto quando seus dedos gelados tocam meu rosto. Escuto seu canto nos ventos que sopram meus cabelos, cuja melodia é acompanhada pelas folhas e galhos das árvores. Admiro o céu estrelado que nos apresenta ao dispersar as nuvens; quando fecho os olhos, tenho a impressão de ouvir até os sussurros das estrelas. Gosto quando me acompanha nas leituras ou outra atividade mais caseira. Eu, você e uma xícara de chá. 

Todo ano aguardo ansiosamente sua chegada. Por mais que sua presença exija mudanças, por mais que seus dias sejam frios, consigo viver cada um deles sempre com o coração aquecido. Creio que esse seja seu verdadeiro objetivo.

Estou feliz por você estar aqui. Seja bem-vindo mais uma vez.


Atenciosamente,

X."

~ VK ~

sábado, 27 de junho de 2015

E sempre terá uma próxima vez...~



Dois meses? Quatro semanas? Talvez um mês e alguns dias? Ou se passaram três e nem percebi? Não me recordo qual foi a última vez que sentei para escrever, só tenho a sensação de que faz muito tempo. Depois olho com carinho para ver o tempo exato, pois agora não há importância.

2015 têm sido absurdamente surpreendente para mim, tanto do lado positivo como negativo. Apesar das muitas quedas que sofri, encontrava algo interessante pelo chão, levantando-me e levando-a comigo. Que sempre é possível tirar uma lição das situações, não é novidade, mas o que realmente mexe comigo é quando essa “lição” gera uma epifania interior. Sabe quando algo passa a fazer sentido e isso faz você mudar de atitude e olhar o mundo de outra forma? Passa a ter vontade de começar a fazer diferente? Pois bem.

Aquela história de que “a vida é um ciclo” pode ter vários significados, todas dependendo de um contexto. O que andei reparando é que, não apenas é um ciclo, mas um ciclo vicioso, e isso aplicado nas ações do meu cotidiano. Infelizmente a escrita andou abandonada desde ano passado por minha pessoa. Por mais que “tentasse” voltar, nunca mais tive meus momentos semanais para parar, sentar e deixar as palavras fluírem. Não sei se tenho o direito de dizer que “TENTEI” retornar a esse hábito, pois sinto que não me esforcei o suficiente. Ter um horário do dia corrido para poder escrever exigiria organização e disciplina, o que não fiz (e admito que nem me dei ao trabalho de tentar).

E o que isso tem a ver com o blábláblá dos parágrafos anteriores? Percebi que ficar deixando pra depois tornou-se um ciclo vicioso: mentalizava que tinha que fazer algo, mas automaticamente me acomodava e deixava para uma outra hora. E isso sempre se repetia.

De alguma forma, acredito que nosso corpo se adapta a “deixar passar”. Procrastinar sem dúvidas é muito mais fácil do que tomar atitude e fazer o que precisa ser feito. E, cada vez que deixamos pra lá, vamos condicionando nosso corpo a já relaxar antes mesmo de tentar, e isso vai se repetindo. Sim, amanhã é um novo dia, uma nova chance de tomar vergonha na cara e fazer o que preciso, mas automaticamente dá uma moleza no corpo, e ele todo se modula para o repouso, e não à produtividade. Sempre haverá uma próxima vez....e essa próxima vez pode ser tanto “uma nova chance de fazer diferente”, ou simplesmente uma próxima vez que vou deixar de lado. Esta última foi a que mais ocorreu.

Escrever foi assim: pensava em começar, mas nunca começava. Aí no outro dia repetia. E no outro também. E na semana seguinte idem. Não percebi que, cada vez que desistia, haveria uma próxima vez que iria abrir mão também, e se eu permitisse que isso ocorresse, dificilmente conseguiria mudar e começar a executar as tarefas. Isso não se aplicou apenas na escrita, mas em todas as áreas da minha vida (casa, estudos...). Demorei meses para enxergar essa minha situação, eu sei, mas de dentro é muito mais complicado ter essa visão do acontecimento.

Bom, seja lá quanto tempo se passou desde que escrevi meu último texto, cá estou de volta. E dessa vez posso falar que voltei sim, esse post está de prova. Não nego que estava quase deixando para outro dia (um dia que nunca viria, convenhamos), mas resolvi fazer um esforço e começá-lo. Aos poucos vou condicionando meu cérebro a voltar a pensar em mais agir do que relaxar, não deixar nada para depois (um depois que demora para vir), e isso só consigo fazer....fazendo. Quero que tenha próximos textos, próximas ideias, próximos posts. Quero sempre ter uma próxima vez que termine em resultados, e não uma próxima vez que termine num vazio. Já estava na hora de quebrar esse ciclo que só me levava à estaca zero para desenvolver um outro que me leve a um produto.

Não quero mais esquecer que sempre haverá uma próxima vez....e essa “próxima vez” poderá ser boa ou ruim. Será uma “próxima vez” de AGIR ou uma “próxima vez” de DESISTIR? Vai depender apenas e exclusivamente de mim a arte de fazer acontecer ou de deixar a ideia morrer. 

~ VK ~

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Chuva cor-de-rosa

Um texto que escrevi dia 22 de Junho de 2012, pouco mais de três anos atrás, mas que acho que vale repostar, até porque assim vejo as mudanças em meus escritos de 2012 para cá. Um conto curtinho que me veio à cabeça durante uma passada pelo metrô Tucuruvi, após olhar para uma árvore toda florida em rosa, com pétalas despencando pelas ruas a cada brisa que surgia.


CHUVA COR-DE-ROSA



“O que será que estão pensando?”

Diversas vezes me perguntei isso enquanto observava pessoas na rua, principalmente quando estou parada dentro do ônibus. Aquela mulher dentro do carro no farol, será que já se questionou o que a pessoa do carro ao lado está pensando? Ou quem sabe, eu sou o “alvo” dela! A curiosidade aumenta mais quando deparo-me com alguém passando chorando.

É uma manhã de domingo. Já faz um tempo que estou sentada na mureta dessa praça, só observando o movimento. O dia está agradável, ainda mais pela beleza do inverno. Engraçado...é domingo e as pessoas continuam correndo como se fosse segunda-feira.

Sempre acho que os fins de semana dão outra cara para os lugares, mesmo esses que passamos todo dia à caminho do serviço. Ganhamos oportunidade de olhá-los com mais atenção, vivê-los melhor, explorá-los! Até mesmo esse cheiro de óleo dos carrinhos de batatas-frita ficam com um ar diferente do de anteontem. Pra que continuar correndo?

O vento parece ter ouvido meus pensamentos. Parando de cortejar a grandiosa árvore fixada atrás de mim, soprou-lhe uma rajada mais forte, balançando  graciosamente seus galhos floridos. Uma nuvem de pétalas-cor-de-rosa espalharam-se pelo local, caindo sobre todos como gotículas de chuva. Nesse momento, o mundo parou. Por alguns segundos, todos voltaram-se para aquele espetáculo, assistindo as flores dançarem ao uivo do vento gelado.

Diverti-me captando aqueles olhares fascinados, singelos sorridos escapando involuntariamente daqueles lábios entreabertos. Assim que a dança ia se cessando, gradualmente as pessoas iam se recompondo, voltando ao caminho que até então estavam seguindo. Por mais que tenha sido rápido, sei que foi com efeito! Essa belíssima visão não acontece toda hora, e encanta mais ainda quando vem de alguém que nem sabíamos que existia.

Naquele momento, ganhei meu dia. 

~ VK ~
(22/06/2012)